28/09/2008

VOGANDO SOBRE O DOURO

escolhi esboçar este poema para uma grande festa
onde estivesse presente um livro glorioso
na vitrina do rio.
mas voltei-lhe as costas, fui até à Ribeira
e encontrei o Douro
rodeado de silêncios nascituros
num berço embalado.
nessa festa o livro refulgia à tona de água
como se nunca tivesse feito surf
e pediu-me atenção às frases feitas
e pediu perdão à vida por ainda estar aceso.
outros livros vieram acompanhá-lo desde Braga
e cada um entoava uma canção nocturna
e a lua não cessava de obscurecer a Ponte
que o Douro ganhou recentemente...


Fernando Morais


13.09.2008 (poema inédito)

03/09/2008

"ALMA ATÉ ALMEIDA"

Depois de Rimbaud
não se deve escrever
                   romântico
porque o seu canto
é o cântico do querer
a nova realidade


A "alma" passou a ser
como disse  Saguenail
o que faz viver o intestino
o coração  e as tripas
a mão e o raciocínio


Fernando Morais

in Um Estalo na Modorra, Poemas Insubmissos, Edição Palavra em Mutação, 2003

01/09/2008

No Vazio

Dou um salto no vazio
em cada passo que dou
num constante desafio
sem saber para onde vou.


Acerto o passo e caminho
na direcção pretendida
à procura do meu ninho
onde mora a minha vida...


Se chego já não está lá
se não chego nunca sei
para quê a caminhada...


a vida está mesmo má
e com os passos que dei
na vida não andei nada!


Silvestre Bastos Oliveira


in Meu Nascente, edição do Autor, 1997