29 julho 2009

EPITÁFIO PARA VAMPIROS

Sob estas pedras jazem os vampiros!


A vida foi-lhes pródiga por séculos;
pisaram sempre a relva; mas agora,
finalmente, banidos, no silêncio,
mergulhados entre vermes e poeiras,
transformaram-se no húmus que não foram.


Os homens amavam sem serenidade;
as mulheres não tinham filhos sem remorsos.


Sob estas pedras jazem. Com o sangue
bebido aos que buscavam as estrelas,
inventaram alguns Deuses protectores,
fizeram sobretudos contra o ódio,
gizaram itinerários de assassínio.


A vida era alguns pássaros, por vezes,
logo engolidos pelo pesadelo.


A morte veio, fulminante, certa,
com os olhos inflexíveis dos famintos.
Violenta, como a Deusa da Vingança,
extinguiu no ar, por uma vez,
o grito de rapina dos seus voos.


É doce a hora
de que os ponteiros já não ceifam sonhos.




Egito Gonçalves


in SONHAR A TERRA LIVRE E INSUBMISSA..., Editorial Inova, Porto, Fevereiro de 1973

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