18 outubro 2010

[Se perguntarem: das artes do mundo?]

Se perguntarem: das artes do mundo?
Das artes do mundo escolho a de ver cometas
despenharem-se
nas grandes massas de água; depois, as brasas pelos recantos,
charcos entre elas.
Quero na escuridão revolvida pelas luzes
ganhar baptismo, ofício.
Queimado nas orlas de fogo das poças.
O meu nome é esse.
E os dias atravessam as noites até aos outros dias, as noites
          caem dentro dos dias - e eu estudo
          astros desmoronados, mananciais, o segredo.

Herberto Helder

com a devida vénia, de DO MUNDO, Assírio & Alvim, Lisboa, Outubro de 1994

5 comentários:

carmen silvia presotto disse...

Genial, uma tela viva!!!

Um abraço

Domingos da Mota disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Domingos da Mota disse...

Cara Carmen Silvia Presotto,

Concordo com a sua leitura do poema.

Obrigado pela visita.

Deiselangblogger disse...

ME PERCO SEMPRE NO TEU BLOG.
ELE É MARAVILHOSO.
PARABÉNS!
CONVIDO-TE PARA VISITAR O MEU, DEIXE COMENTÁRIOS, SUGESTÕES, FIQUE A VONTADE, SERÁ UM PRAZER IMENSO.
ABRAÇOS.

Domingos da Mota disse...

Cara Deise,

Obrigado pela visita e pelo generoso comentário. Também tenho "poisado os olhos" no seu sítio.