20 de Fevereiro de 2011

Lábil e pálida

Lábil e pálida ternura táctil
deste incerto perfil que não se aceita
rapariga de outrora fina e frágil
que o prisma de anos mortos não rejeita

é com tua lembrança pura e ágil
que ao vir a treva a minha luz se deita
se no breve devir uma flor mágica
brotar será a paz  da nossa eleita

No fumegar da minha ardente insónia
esquartejada em roxos e vermelhos
tu és a branca brisa da concórdia

que vislumbro nos lívidos espelhos
onde cai gota a gota a hora hórrida
mas que guardo de pé não de joelhos

                                                         1968

Urbano Tavares Rodrigues

com a devida vénia, de Horas de Vidro, Publicações Dom Quixote, Lda., Lisboa, Fevereiro de 2011

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