Perene é ser soneto: eis do futuro,
essa canção com oitocentos anos:
sábios, mil sons ecoam bons sopranos,
no timbre d'árias tensas de ouro puro.
Catorze versos a fundir degraus
(ligas de cobre e prata e elexir)
refeitos pra durar até que expire
seu último cantor, à flor do caos.
Perene é ser soneto, que reside
na cópia à rasa essencial do verbo:
tal como a roda, o cubo e o triângulo,
vem inscrito no código soberbo
de quem tece um casulo e sente livre
o sôpro do seu sangue num coágulo.
António Barahona
com a devida vénia, de RESUMO a poesia em 2010, Assírio & Alvim, Março 2011
2 comentários:
Gosto de estar aqui, porque encontro muito sempre do que se pode em Poesia, conheço grandes poetas... forma e conteúdo em grande pulsação, um poema que ensina, refina, atravessa o tempo.
Um abraço carinhoso.
Carmen.
Cara Carmen,
Obrigado pela visita e pelo comentário.
Enviar um comentário