25 de Maio de 2011

[Impenitente criador de mastros]

Impenitente criador de mastros,
quanto a velas nem vê-las
- mais que de fugida
quando me olhas de olhos como estrelas,
minha vida.


Dos astros
desço então à hora parca
que o destino nos deu:
e fecho a arca,
e tapo o céu.

Pedro Tamen

com a devida vénia de Relâmpago, N.º 27, Revista de Poesia, Outubro de 2010

2 comentários:

carmen silvia presotto disse...

Domingos Querido, li e fui buscar mais poemas deste grande poeta que apresentaste aqui, colo abaixo um dos tantos em minha leitura.

Escrito de Memória

Formado em direito e solidão,
às escuras te busco enquanto a chuva brilha.
É verdade que olhas, é verdade que dizes.
Que todos temos medo e água pura.

A que deuses te devo, se te devo,
que espanto é este, se há razão pra ele?
Como te busco, então, se estás aqui,
ou, se não estás, por te quero tida?
Quais olhos e qual noite?
Aquela
em que estiveste por me dizeres o nome.

Pedro Tamen, in “Tábua das Matérias”


Um abraço, gracias pela troca poética e bom final de semana.

Carmen.

DM disse...

Cara Carmen,

Obrigado pela transcrição de mais um excelente poema de Pedro Tamen.
O que aqui deixei, segundo o autor, «pertencerá ao livro a publicar Rua de Nenhures (...)».