Vai pois, poema, procura
a voz literal
que desocultadamente fala
sob tanta literatura.
Se a escutares, porém, tapa os ouvidos,
porque pela primeira vez estás sozinho.
Regressa então, se puderes, pelo caminho
das interpretações e dos sentidos.
Mas não olhes para trás, não olhes para trás,
ou jamais te perderás;
e teu canto, insensato, será feito
só de melancolia e de despeito.
E de discórdia. E todavia
sob tanto passado insepulto
o que encontraste senão tumulto,
senão de novo ressentimento e ironia?
Manuel António Pina
com a devida vénia, de POESIA, SAUDADE DA PROSA uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, Maio 2011
4 comentários:
que belíssima escolha!!!!
Caríssimo Poeta, Ozias Filho,
é uma honra recebê-lo neste blogue.
Obrigado.
Perder-se para se encontrar... que sempre tenhamos estes poetas a nos tecer os caminhos...gracias!
Beijos
Carmen.
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