Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
com a devida vénia, POEMAS DE FERNANDO PESSOA, Selecção, prefácio e posfácio de Eduardo Lourenço, Visão e JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, 2.ª Edição, Fevereiro de 2006
3 comentários:
Olá, boa tarde!
Eu venho convidar-te a visitar meu blog de Poesias.
Se gostar e quiser me SEGUIR, vou gostar de ter por lá seus coments.
Eu já te SIGO com alegria.
FELICIDADES.
Abraço iluminado,
João Ludugero, Poeta.
www.ludugero.blogspot.com
Até mais!
Caro João Ludugero,
Obrigado pela visita e pelo acompanhamento deste meu blogue.
Visitei o seu, que passei a seguir.
É, os livros nos mantem sempre em vigília, despertadores de sonos mas sempre o caminho de uma certa liberdade.
Um beijo e boa semana.
Carmen.
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