Desconfio dos poetas
que falam muito de luz, das
manhãs e das árvores
na sua obsessão hospedeira
de frutos e aves e
folhas. Desconfio dos que cantam
lareiras e vozes mansas, tentando
apaziguar o poema com a sua
indústria de incensos. Eles
encenam como velhos profetas
tardias formas de beleza
extinta - e fazem do verso
um ritual nado-morto
de pequenos afectos,
indiferentes à faca
incandescente que separa
o corpo das palavras
da substância do mundo.
Inês Lourenço
com a devida vénia, de LOGROS CONSENTIDOS, &etc, 2005
2 comentários:
Quanto temos que trabalhar para um dia ter um poema assim, tecido assim..
Beijos e bom final de semana.
Carmen.
Mais uma vez obrigado pela visita e pelo comentário.
Boa semana.
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