6 de Agosto de 2011

POÉTICA (II)

COM as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia

E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo.
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
... Entrai, irmãos meus!

Vinicius de Moraes

com a devida vénia, de O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO e outros poemas, Selecção e prefácio de Alexandre O'Neill, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1986

1 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Bom sonetista - exímio!