O que de nós esperam? Junto aos olhos
maiores foram os campos cultivados
de basalto, de escórias - as palavras
estéreis, o poema que recolhe
tudo o que mal existe, para darmos
o que era nosso, e deles recebemos
o último gesto, a fuga que regressa
ao ponto de partida: o nascimento
doloroso. Mais nada. Assim o ciclo
há-de ficar completo. Poderemos
agora retomá-lo? Nestas sílabas
pouco mais há que a voz incendiada
capaz de nos chamar para que chegue
de outra respiração a que se extingue.
Fernando Guimarães
com a devida vénia, de As Raízes Diferentes, Relógio D'Água Editores, Lisboa, Junho de 2011
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