A tarde fria arrasta-nos para dentro da cama.
Aos poucos deixamo-nos ficar... ...por ali.
Fixo a fraca coluna de sol mergulhar pelo vidro da janela
e sustentar-se friamente no soalho silencioso.
As tuas costas flutuam amparadas no colchão.
Lentamente deixas cair o braço para fora da cama.
Sorrio não só por te sentir adormecida
mas também por a tua pulsação ser como uma balada,
- o seu refrão será sempre um refresco -
e as suas melodias ainda que electrónicas
estarão sempre à nossa espera
nos head-phones abandonados
sobre a mesa de cabeceira.
João Miguel Queirós
in POETAS SEM QUALIDADES 1994-2002, Averno, Novembro de 2002
30/06/2009
27/06/2009
Cantiga
as palavras repousam fermentadas
na geometria do meu lugar
é uma guerra e está dentro de mim
como um bicho emboscado
agora já tenho quatro versos turvos
e uma dor longínqua no intervalo
dos ossos
com o que sobra
invento outra mitologia
Rui Pires Cabral
de Geografia das Estações, Vila Real, Edição do Autor, 1994
in POETAS SEM QUALIDADES 1994-2002, Averno, Novembro 2002
na geometria do meu lugar
é uma guerra e está dentro de mim
como um bicho emboscado
agora já tenho quatro versos turvos
e uma dor longínqua no intervalo
dos ossos
com o que sobra
invento outra mitologia
Rui Pires Cabral
de Geografia das Estações, Vila Real, Edição do Autor, 1994
in POETAS SEM QUALIDADES 1994-2002, Averno, Novembro 2002
25/06/2009
o tamanho e o peso das frases
Chego à janela com palavras românticas
O mar é um azulejo, fecho-a.
As lágrimas, que porra, as lágrimas
Já não sinto os pés.
Bailado de quem tem a cabeça aureolada.
Fala e não ouço senão louça, televisores.
Ruídos que me chegam pela janela
Como se fossem diálogos
Mas que não passam de desprezo
De desprezo, de abreviaturas.
As mãos, para que servem as mãos nesse linguajar
As mãos são preconceitos, abismos, promessas.
Carlos Luís Bessa
de Termómetro-Diário
in POETAS SEM QUALIDADES 1994-2002, Averno, Novembro de 2002
O mar é um azulejo, fecho-a.
As lágrimas, que porra, as lágrimas
Já não sinto os pés.
Bailado de quem tem a cabeça aureolada.
Fala e não ouço senão louça, televisores.
Ruídos que me chegam pela janela
Como se fossem diálogos
Mas que não passam de desprezo
De desprezo, de abreviaturas.
As mãos, para que servem as mãos nesse linguajar
As mãos são preconceitos, abismos, promessas.
Carlos Luís Bessa
de Termómetro-Diário
in POETAS SEM QUALIDADES 1994-2002, Averno, Novembro de 2002
14/06/2009
[queria que me acompanhasses]
queria que me acompanhasses
vida fora
como uma vela
que me descobrisse o mundo
mas situo-me no lado incerto
onde bate o vento
e só te posso ensinar
nomes de árvores
cujo fruto se colhe numa próxima estação
por onde os comboios estendem
silvos aflitos
Ana Paula Inácio
de Vago Pressentimento Azul por Cima, Porto, Ilhas, 2000
in POETAS SEM QUALIDADES 1994-2002, Averno, Novembro de 2002
vida fora
como uma vela
que me descobrisse o mundo
mas situo-me no lado incerto
onde bate o vento
e só te posso ensinar
nomes de árvores
cujo fruto se colhe numa próxima estação
por onde os comboios estendem
silvos aflitos
Ana Paula Inácio
de Vago Pressentimento Azul por Cima, Porto, Ilhas, 2000
in POETAS SEM QUALIDADES 1994-2002, Averno, Novembro de 2002
11/06/2009
[Trago no bolso]
Trago no bolso
os meus tesouros:
Cabeça de Boi
Cabeça de Vaca
Contra-Mundo
e Papa.
Licenças e
Abafadores.
Pequenos
universos
de vidro
à deriva.
Carlos Alberto Machado
de Mundo de Aventuras, Évora, Ataegina, 2000
in POETAS SEM QUALIDADES 1994-2000, Averno, Novembro de 2002
os meus tesouros:
Cabeça de Boi
Cabeça de Vaca
Contra-Mundo
e Papa.
Licenças e
Abafadores.
Pequenos
universos
de vidro
à deriva.
Carlos Alberto Machado
de Mundo de Aventuras, Évora, Ataegina, 2000
in POETAS SEM QUALIDADES 1994-2000, Averno, Novembro de 2002
08/06/2009
[põe um disco a correr. a chuva não demora]
põe um disco a correr. a chuva não demora
mais que o esvaziar das nuvens se te
confessasse as coisas que já atirei ao mar
(o revólver do crime palavras numa garrafa)
não darei nome ao poema seria como quem
coloca legenda aos dias e eu: sou como
água (tomando forma nos lugares que molha)
vou repetir (para quem só agora ligou
este poema:) no cesto de frutos da mãe
as estações do ano sucedem-se e o disco
era um disco tão antigo tão antigo que
a certa alturantigo tão antigo que a
certa alturantigo tão antigo que a certa
alturantigo tão antigo que
João Luís Barreto Guimarães
in ESTE LADO PARA CIMA, Editora LIMIAR, Novembro 1994
mais que o esvaziar das nuvens se te
confessasse as coisas que já atirei ao mar
(o revólver do crime palavras numa garrafa)
não darei nome ao poema seria como quem
coloca legenda aos dias e eu: sou como
água (tomando forma nos lugares que molha)
vou repetir (para quem só agora ligou
este poema:) no cesto de frutos da mãe
as estações do ano sucedem-se e o disco
era um disco tão antigo tão antigo que
a certa alturantigo tão antigo que a
certa alturantigo tão antigo que a certa
alturantigo tão antigo que
João Luís Barreto Guimarães
in ESTE LADO PARA CIMA, Editora LIMIAR, Novembro 1994
03/06/2009
TROCOS
há casas que não ouço, protejo-me
no vão das portas
rua a rua
no bolso dois grãos de trigo
para que o vento pare
João Almeida
in Telhados de Vidro, n.º 11. Novembro. 2008, Averno
no vão das portas
rua a rua
no bolso dois grãos de trigo
para que o vento pare
João Almeida
in Telhados de Vidro, n.º 11. Novembro. 2008, Averno
Subscrever:
Mensagens (Atom)