Com a devida vénia, deixo aqui a ligação para uma iniciativa cultural de que só hoje me apercebi:
Estrolabio: Maratona Poética - Eis António Salvado, Domingos da Mota e Joan Vinyoli!
15/09/2010
21/06/2010
"VERSOS SOLTOS DE CADA DIA"
(Excertos)
7.
Hoje, tudo o que escrevo é para ti
e não é preciso
dizer o teu nome:
se digo céu,
rosa,
terra,
Revolução,
ar, mar, poesia...
é a ti que nomeio.
Rafael Alberti
com a devida vénia, de ANTOLOGIA POÉTICA, Selecção e Tradução de Albano Martins, Campo das Letras Editores, S. A., Abril de 1998
7.
Hoje, tudo o que escrevo é para ti
e não é preciso
dizer o teu nome:
se digo céu,
rosa,
terra,
Revolução,
ar, mar, poesia...
é a ti que nomeio.
Rafael Alberti
com a devida vénia, de ANTOLOGIA POÉTICA, Selecção e Tradução de Albano Martins, Campo das Letras Editores, S. A., Abril de 1998
19/06/2010
ROÇAGURES
Roçagures era palavra que não tinha pouso,
casa-sobrado, avarandados. Roçagures
só tinha canto, recanto, desvão
sob pilares tão ermos, e aranhas
vinham (das bojudas)
fazer da palavra roçagures
o pior dos desmazelos: riam
dela (aqueles risotes das aranhas),
riam da roupagem léxica
da palavra roçagures, riam
da sua impossibilidade para frases.
Paulinho Assunção
com a devida autorização do autor, colhido no seu blogue cidades escritas
casa-sobrado, avarandados. Roçagures
só tinha canto, recanto, desvão
sob pilares tão ermos, e aranhas
vinham (das bojudas)
fazer da palavra roçagures
o pior dos desmazelos: riam
dela (aqueles risotes das aranhas),
riam da roupagem léxica
da palavra roçagures, riam
da sua impossibilidade para frases.
Paulinho Assunção
com a devida autorização do autor, colhido no seu blogue cidades escritas
18/06/2010
FRAGMENTOS
I
Assumi a levedura,
o fogo.
E me banhei duas vezes
no mesmo corpo.
II
Nenhuma ciência é maior
que a de estar vivo.
Carlos Nejar
com a devida vénia, de Antologia Poética de Carlos Nejar, prefácio, organização e selecção de António Osório, Editora Pergaminho, Lda., 2003
Assumi a levedura,
o fogo.
E me banhei duas vezes
no mesmo corpo.
II
Nenhuma ciência é maior
que a de estar vivo.
Carlos Nejar
com a devida vénia, de Antologia Poética de Carlos Nejar, prefácio, organização e selecção de António Osório, Editora Pergaminho, Lda., 2003
13/06/2010
MEDITAÇÃO FINAL
Ignoro se avanço ou se parei,
Se volto atrás pra repetir os passos:
O tempo dos cansaços
Chegou com dura lei.
E ainda me pedem um sinal
De novidade:
Se apresentar a certidão de idade,
Cavam a terra, trazem pás de cal.
A pena emperrava na palavra,
O coração nos sentimentos.
Os últimos momentos
Não somos nunca nós, mas Deus, quem lavra.
Irei deixar um livro em branco
(Tanto faz esse ou outro que hoje escreva!).
Ninguém se atreva
A abri-lo, a procurar-lhe a comoção de um canto,
Pois vai doer-lhe a página vazia,
Como doem agora os meus cansaços.
Eu avanço, parei, ou repito os meus passos?
Não sei. Mas sei que a alma é cada vez mais fria.
António Manuel Couto Viana
com a devida vénia, de Prefiro Pátria às Rosas, Vega, Limitada, 1998
Se volto atrás pra repetir os passos:
O tempo dos cansaços
Chegou com dura lei.
E ainda me pedem um sinal
De novidade:
Se apresentar a certidão de idade,
Cavam a terra, trazem pás de cal.
A pena emperrava na palavra,
O coração nos sentimentos.
Os últimos momentos
Não somos nunca nós, mas Deus, quem lavra.
Irei deixar um livro em branco
(Tanto faz esse ou outro que hoje escreva!).
Ninguém se atreva
A abri-lo, a procurar-lhe a comoção de um canto,
Pois vai doer-lhe a página vazia,
Como doem agora os meus cansaços.
Eu avanço, parei, ou repito os meus passos?
Não sei. Mas sei que a alma é cada vez mais fria.
António Manuel Couto Viana
com a devida vénia, de Prefiro Pátria às Rosas, Vega, Limitada, 1998
19/05/2010
RELAÇÃO DE ALGUNS BENS DO POETA
uma pilha de poemas impressos
outra dos que foram perdidos
e mais outra dos que ficaram por escrever
uma prateleira com sonhos queimados
quarenta e cinco amores frustrados
um relógio sem ponteiros
um gato imaginário que mia em silêncio
um pássaro empalhado com a asa esquerda partida
uma mala de couro pronta para a viagem sem volta
17-05-10
Júlio Saraiva
mais poemas do autor, aqui
outra dos que foram perdidos
e mais outra dos que ficaram por escrever
uma prateleira com sonhos queimados
quarenta e cinco amores frustrados
um relógio sem ponteiros
um gato imaginário que mia em silêncio
um pássaro empalhado com a asa esquerda partida
uma mala de couro pronta para a viagem sem volta
17-05-10
Júlio Saraiva
mais poemas do autor, aqui
05/05/2010
Errata
.
Na pág. 81, onde se lê mulher,
Deverá ler-se feitiço.
Tendo em atenção a isso
Ilude-se apenas quem quiser.
Mário Osório
com a devida autorização do autor, de Fumo do Meu Cigarro
Na pág. 81, onde se lê mulher,
Deverá ler-se feitiço.
Tendo em atenção a isso
Ilude-se apenas quem quiser.
Mário Osório
com a devida autorização do autor, de Fumo do Meu Cigarro
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