(...)
Vejo-me como um homem calado, vejo assim os poetas,
vemo-nos como homens calados que não podem estar calados,
ou que estão cegos e não podem estar cegos,
ou que não podem deixar de deambular pela cidade,
porque há uma pedra a levantar do chão,
um povo a levantar,
uma infância a levantar
(...)
Amadeu Baptista
com a devida vénia, de O ANO DA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO, &etc, Setembro de 2010
03/11/2010
02/10/2010
PERSPECTIVAS
Há uma estranha persistência da vontade
nos dias que correm. Como efeitos dos (ou só a pele!) caminhos bifurcados,
organizamos falsas geometrias.
As nossas janelas dão para outras janelas,
em cidades que não se deixam habitar facilmente. São plácidas as tardes e
existes
no perfeito ponto para
onde fogem
todas as linhas que teimamos em não ver.
Queiras
ou não (há sempre duas passagens!), a rede da melancolia
tem servido também
para inventar o ponto de vista.
Dália Dias
(Inédito)
nos dias que correm. Como efeitos dos (ou só a pele!) caminhos bifurcados,
organizamos falsas geometrias.
As nossas janelas dão para outras janelas,
em cidades que não se deixam habitar facilmente. São plácidas as tardes e
existes
no perfeito ponto para
onde fogem
todas as linhas que teimamos em não ver.
Queiras
ou não (há sempre duas passagens!), a rede da melancolia
tem servido também
para inventar o ponto de vista.
Dália Dias
(Inédito)
15/09/2010
Estrolabio: Maratona Poética - Eis António Salvado, Domingos da Mota e Joan Vinyoli!
Com a devida vénia, deixo aqui a ligação para uma iniciativa cultural de que só hoje me apercebi:
Estrolabio: Maratona Poética - Eis António Salvado, Domingos da Mota e Joan Vinyoli!
Estrolabio: Maratona Poética - Eis António Salvado, Domingos da Mota e Joan Vinyoli!
21/06/2010
"VERSOS SOLTOS DE CADA DIA"
(Excertos)
7.
Hoje, tudo o que escrevo é para ti
e não é preciso
dizer o teu nome:
se digo céu,
rosa,
terra,
Revolução,
ar, mar, poesia...
é a ti que nomeio.
Rafael Alberti
com a devida vénia, de ANTOLOGIA POÉTICA, Selecção e Tradução de Albano Martins, Campo das Letras Editores, S. A., Abril de 1998
7.
Hoje, tudo o que escrevo é para ti
e não é preciso
dizer o teu nome:
se digo céu,
rosa,
terra,
Revolução,
ar, mar, poesia...
é a ti que nomeio.
Rafael Alberti
com a devida vénia, de ANTOLOGIA POÉTICA, Selecção e Tradução de Albano Martins, Campo das Letras Editores, S. A., Abril de 1998
19/06/2010
ROÇAGURES
Roçagures era palavra que não tinha pouso,
casa-sobrado, avarandados. Roçagures
só tinha canto, recanto, desvão
sob pilares tão ermos, e aranhas
vinham (das bojudas)
fazer da palavra roçagures
o pior dos desmazelos: riam
dela (aqueles risotes das aranhas),
riam da roupagem léxica
da palavra roçagures, riam
da sua impossibilidade para frases.
Paulinho Assunção
com a devida autorização do autor, colhido no seu blogue cidades escritas
casa-sobrado, avarandados. Roçagures
só tinha canto, recanto, desvão
sob pilares tão ermos, e aranhas
vinham (das bojudas)
fazer da palavra roçagures
o pior dos desmazelos: riam
dela (aqueles risotes das aranhas),
riam da roupagem léxica
da palavra roçagures, riam
da sua impossibilidade para frases.
Paulinho Assunção
com a devida autorização do autor, colhido no seu blogue cidades escritas
18/06/2010
FRAGMENTOS
I
Assumi a levedura,
o fogo.
E me banhei duas vezes
no mesmo corpo.
II
Nenhuma ciência é maior
que a de estar vivo.
Carlos Nejar
com a devida vénia, de Antologia Poética de Carlos Nejar, prefácio, organização e selecção de António Osório, Editora Pergaminho, Lda., 2003
Assumi a levedura,
o fogo.
E me banhei duas vezes
no mesmo corpo.
II
Nenhuma ciência é maior
que a de estar vivo.
Carlos Nejar
com a devida vénia, de Antologia Poética de Carlos Nejar, prefácio, organização e selecção de António Osório, Editora Pergaminho, Lda., 2003
13/06/2010
MEDITAÇÃO FINAL
Ignoro se avanço ou se parei,
Se volto atrás pra repetir os passos:
O tempo dos cansaços
Chegou com dura lei.
E ainda me pedem um sinal
De novidade:
Se apresentar a certidão de idade,
Cavam a terra, trazem pás de cal.
A pena emperrava na palavra,
O coração nos sentimentos.
Os últimos momentos
Não somos nunca nós, mas Deus, quem lavra.
Irei deixar um livro em branco
(Tanto faz esse ou outro que hoje escreva!).
Ninguém se atreva
A abri-lo, a procurar-lhe a comoção de um canto,
Pois vai doer-lhe a página vazia,
Como doem agora os meus cansaços.
Eu avanço, parei, ou repito os meus passos?
Não sei. Mas sei que a alma é cada vez mais fria.
António Manuel Couto Viana
com a devida vénia, de Prefiro Pátria às Rosas, Vega, Limitada, 1998
Se volto atrás pra repetir os passos:
O tempo dos cansaços
Chegou com dura lei.
E ainda me pedem um sinal
De novidade:
Se apresentar a certidão de idade,
Cavam a terra, trazem pás de cal.
A pena emperrava na palavra,
O coração nos sentimentos.
Os últimos momentos
Não somos nunca nós, mas Deus, quem lavra.
Irei deixar um livro em branco
(Tanto faz esse ou outro que hoje escreva!).
Ninguém se atreva
A abri-lo, a procurar-lhe a comoção de um canto,
Pois vai doer-lhe a página vazia,
Como doem agora os meus cansaços.
Eu avanço, parei, ou repito os meus passos?
Não sei. Mas sei que a alma é cada vez mais fria.
António Manuel Couto Viana
com a devida vénia, de Prefiro Pátria às Rosas, Vega, Limitada, 1998
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