28 abril 2009

[Azimuto a minha barca]

Azimuto a minha barca
e o porto é onde já estou.
Esta chuva que me encharca
é a que nunca pingou.


Olho pra trás desasado
das asas que nunca tive.
Não há mudanças de estado
na descida do declive.


Pedro que sou, reduzo
o sapato em que me meto
a moído parafuso
e a desgosto secreto.


Desalimento a certeza,
aperto a chave ao sorriso,
lavo a loiça, ponho a mesa,
falo faceto, agonizo.




Pedro Tamen


in Memória Indescritível, Gótica, Lisboa / 2000, Setembro de 2000

3 comentários:

CECILE PETROVISK disse...

Domingos,

Belo!


Beijos,
Cecile.

DM disse...

Cecile,

Agradeço a sua visita e o comentário,

DM

Fernanda Marra disse...

Coisa mais linda! Deu vontade de ler outros poemas de Pedro. Limpo, palatável, ritimado, macio!