13 abril 2009

A SECRETA IDADE

Atravessei as dilaceradas lâmpadas da insónia
Conheci o amargo amargo do livro cego
E os andrajosos pássaros da adolescência
Cheguei à secreta idade da ignorância
E a poeira da dança cobre os meus cabelos
Como se fosse um deus desfeito E o perfume do prodígio
Liberta-se por vezes não como uma cinza última
Mas como um sopro mais alto do que o mar
No alento do livro toco os ardentes limites
Da terra Já não sei se vivi Estou no círculo branco
Rodeado de musicais andaimes A minha voz é o corpo
Que adere à redondez profunda
Do intacto




António Ramos Rosa


in António Ramos Rosa e Casimiro de Brito, DUAS ÁGUAS, UM RIO, edições Quasi, 2002

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