10 maio 2009

LAGARTIXA

Corro colada ao chão
um discurso sem pernas
e em busca do calor
ligo o solo e o sol.


Depois de morta mexo.
Mas sei que logo após
a ponta do meu corpo
também se queda morta.


Ergo a cabeça azul
ao azul e ao brilho
e rojo pelo pó
o pó que vou andando.


No frio do meu sangue
tenho a premonição
do lixo que na terra
em terra se fará.


Meneio, pois: meneio
qual se tivesse rins.
Mas de nada me escapo,
nem mesmo do buraco.




Pedro Tamen


in Analogia e Dedos, Oceanos, ASA Editores, 2006

3 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Que metáfora mais animadora - apesar do fim. Pedro Tamen, não o conhecia.

DM disse...

Bar do Bordo,

Pedro Tamen é um dos grandes poetas portugueses vivos.
Obrigado pela visita e pelo comentário.

DM

DM disse...
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